Uma dobra no tempo – apresentação de Paulo Dias

Introdução, por Paulo Dias

Paulo Dias

Paulo Dias.

Este é um texto que precisa ser lido. Começo, assim, a minha nota de introdução com a afirmação de que a leitura deste texto é uma partilha do percurso, das experiências e das intervenções sociais e académicas de um querido amigo, Nelson Pretto, que agora nos revela no seu jeito muito próprio de nos contar e dizer de si, de como se fez professor para mudar o pensamento e a forma de ensinar, e transformar as práticas da educação num processo de descoberta para o mundo e o conhecimento.

Este é um texto que deverá ser lido por quem sabe e se atreve a pensar por si e, deste modo, irá partilhar, ao longo dos diferentes momentos da narrativa, as paisagens da razão e do conhecimento, o sentido de ser e intervir, como cidadão e académico, na comunidade e na universidade.

Uma razão construída na vontade e participação na construção da voz social, uma forma de agir e atuar que desde cedo, nos tempos de menino ainda, aluno no colégio, se afirmou no compromisso da solidariedade para questionar o poder estabelecido, e no envolvimento ativo para a mudança, mais tarde, como aluno na universidade. Um compromisso social que se afirmou também na inovação dos percursos do investigador e membro da academia, que elegeu como o seu campo principal de pesquisa na refundação do pensamento da universidade para a educação na sociedade digital.

Esta é uma narrativa que tem de ser lida sem reservas para assim seguirmos, na ausência das fronteiras que decorrem do discurso aberto que nos apresenta, o percurso do pensamento e da ação do investigador e do académico, e, em particular, do ativista social profundamente envolvido na construção da cenarização da mudança e da inovação.

Através da presença continuada na coordenação e participação em programas de comunicação e inovação na educação, domínio de estudos em que centrou a sua atividade científica ainda no âmbito dos trabalhos do doutoramento e, após este, desenvolveu a sua intervenção como académico na UFBA e nas demais instituições internacionais com as quais colaborou como pesquisador, diz-nos, de forma por vezes íntima, porque o faz com descrições próximas do sentido do vivido, mas sempre afirmativa face aos obstáculos com que se deparou, como se aproximou da educação vindo da física, como sempre pensou a educação como o percurso para a mudança individual e coletiva na construção de uma sociedade inclusiva a que sempre procurou e soube dar forma nas suas inúmeras iniciativas, como investigador, professor e Diretor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.

Esta é uma narrativa que sabe trazer o informal para reconstruir o formal, no tom consciente de quem está envolvido e é um ativista para a mudança, e sabe fazer da voz social a voz para antecipar o futuro. Por isto mesmo precisa de ser partilhada, pois são enormes os contributos para pensarmos a universidade de amanhã.

Lisboa, 28 de abril de 2015.

Paulo Maria Bastos da Silva Dias – Reitor da Universidade Aberta, Portugal

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